Maison 2025 — Centro Cultural UFMG
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“Só o amor e a memória” Roberto Bolaño
“What labels me, negates me.”
Soren Kierkegaard
O enxerto, um delicado procedimento em que uma abertura é feita em uma planta para inserir outra, permite que ambos os tecidos vegetais cresçam juntos. Essa abertura é uma ferida, uma brecha, uma exposição para a outra planta. Um galho enxertado, que por si só não frutifica nem floresce, desafia a noção tradicional de espécie.
Na exposição "Maison", Chico Rezende explora atrevidamente essas noções: categorias, espécies, funções, sentidos e títulos. Atrever-se é confiar na capacidade de si ou de algo, para além das aptidões previstas. No entanto, não o faz por capricho; a regra do afeto prevalece, é na confiança do vínculo que a transformação ocorre.
O artista rompe as classificações alterando status e enunciados das coisas por meio de enxertos entre objetos e palavras. Estes que, em contrapartida, o reúnem com a memória de seu amigo, Roberto Cardoso. Reúnem a dupla face do mundo, dos vivos e dos mortos, do sonho e da vigília, para que não finde o mistério, para que não finde o que existe e o que não existe.
Os objetos de arte não falam por si, mas participam da linguagem. Agem na linguagem, ou ainda como silêncio na linguagem. No lugar dos significados a eles atribuídos pela própria linguagem, o antropólogo britânico Alfred Gell se interessa pelo contexto relacional em que são conduzidos e circulam. Os objetos de arte agem então como enxertos na linguagem, ainda que não nomeados.
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” escreveu o poeta português Fernando Pessoa. As obras apresentadas em “Maison” são nascidas de sonhos, onde nada é unívoco – justamente por aguardarem ser nomeadas, ainda que provisoriamente – sem categorias e divisões fixas. Cardin é Cardoso, etiqueta é ética, importado é importante, e Toddy é amarelo.
Rezende explicita o vínculo do que é inseparável. Evidencia a permanência. Veste a fantasia de realidade de modo a compor, na diferença, um rastro de masculinidade, um traço de homem: Paisagem-homem. Uma paisagem povoada, neste texto, por Rezende, Cardoso, Pessoa, Gell, Bolaño e Kierkegaard, escrita pela mão de uma mulher.
Foi este último, o teólogo, filósofo e poeta dinamarquês Søren Kierkegaard, quem escreveu que a função da oração é alterar a natureza de quem ora, e não influenciar Deus. Reencantando os objetos e adentrando o mundo espiritual. Só a febre e a poesia, o amor e a memória provocam visões. No anseio do gol, o enxerto realizado pelo artista é uma forma de oração.
Na exposição "Maison", Chico Rezende explora atrevidamente essas noções: categorias, espécies, funções, sentidos e títulos. Atrever-se é confiar na capacidade de si ou de algo, para além das aptidões previstas. No entanto, não o faz por capricho; a regra do afeto prevalece, é na confiança do vínculo que a transformação ocorre.
O artista rompe as classificações alterando status e enunciados das coisas por meio de enxertos entre objetos e palavras. Estes que, em contrapartida, o reúnem com a memória de seu amigo, Roberto Cardoso. Reúnem a dupla face do mundo, dos vivos e dos mortos, do sonho e da vigília, para que não finde o mistério, para que não finde o que existe e o que não existe.
Os objetos de arte não falam por si, mas participam da linguagem. Agem na linguagem, ou ainda como silêncio na linguagem. No lugar dos significados a eles atribuídos pela própria linguagem, o antropólogo britânico Alfred Gell se interessa pelo contexto relacional em que são conduzidos e circulam. Os objetos de arte agem então como enxertos na linguagem, ainda que não nomeados.
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” escreveu o poeta português Fernando Pessoa. As obras apresentadas em “Maison” são nascidas de sonhos, onde nada é unívoco – justamente por aguardarem ser nomeadas, ainda que provisoriamente – sem categorias e divisões fixas. Cardin é Cardoso, etiqueta é ética, importado é importante, e Toddy é amarelo.
Rezende explicita o vínculo do que é inseparável. Evidencia a permanência. Veste a fantasia de realidade de modo a compor, na diferença, um rastro de masculinidade, um traço de homem: Paisagem-homem. Uma paisagem povoada, neste texto, por Rezende, Cardoso, Pessoa, Gell, Bolaño e Kierkegaard, escrita pela mão de uma mulher.
Foi este último, o teólogo, filósofo e poeta dinamarquês Søren Kierkegaard, quem escreveu que a função da oração é alterar a natureza de quem ora, e não influenciar Deus. Reencantando os objetos e adentrando o mundo espiritual. Só a febre e a poesia, o amor e a memória provocam visões. No anseio do gol, o enxerto realizado pelo artista é uma forma de oração.
Maria Palmeiro
Artista e professora, vive e trabalha no Rio de Janeiro.
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Duplo, 2018 - 2020
Desenho (21) - nanquim sobre papel
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Decker, homenagem a J&B, 2023
Tapete vermelho, espelhos, pedras
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TTC, 2019
Livro de artista - 100 exemplares assinados e numerados
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Itaguara, 2025
Objeto - toalha, bico de crochê e cabideiro
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Garrados, 2016
Fotografias (04) - impressas sobre papel 210g/m2 à base de pigmento mineral
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Tropico de câncer, 2016
Colagem - mapa e pedra banhada a ouro.
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Pierre Cardoso, 2015 - 2023
Instalação - dossel de Sucupira e Pau-Rosa, espuma, couro sintético, travesseiros, roupas diversas e etiqueta
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Bolsa de festa, 2016
Objeto - tecido, couro sintético e metal
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Praia do Cardoso, 2017 - 2025
Instalação - Chassi de madeira, echarpe de algodão, linha de algodão, portas, perfil metálico, cortina,
tambor, sal mineral, cachaça, cinto de segurança, presilhas, rádio AM.FM e Peça sonora
Instalação - Chassi de madeira, echarpe de algodão, linha de algodão, portas, perfil metálico, cortina,
tambor, sal mineral, cachaça, cinto de segurança, presilhas, rádio AM.FM e Peça sonora
Farmácia Calçada, 2016 - 2025
Objeto - caixa de madeira, medicamentos diversos, travesseiro, corda, pedras, barra de sabão
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Modus / Moldes = Ana Horta, 2025
Escultura - Espuma e couro sintético
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